O petróleo Brent avança nesta terça-feira, pressionado por novas tensões no Oriente Médio. A alta do barril tem efeito duplo no Brasil: favorece a receita e os dividendos da Petrobras, mas ameaça pressionar os preços dos combustíveis e, por tabela, a inflação. O movimento entra no radar do mercado no mesmo dia em que saíram a ata do Copom e o IPCA de julho.
Helena Braga · Loterix
Enquanto o Brasil olhava para os juros e a inflação, o petróleo voltou a subir lá fora. A alta do Brent, puxada por tensões geopolíticas, mexe com a Bolsa, com a Petrobras e, no fim da linha, com o preço que você paga na bomba. Veja como essa conta chega até aqui.
Por que o petróleo está subindo?
O barril de Brent, referência internacional, avança com novas incertezas no Oriente Médio, região que concentra parte importante da produção mundial. Qualquer risco de interrupção no fornecimento tende a empurrar o preço para cima, num movimento clássico do mercado de commodities.
Isso é bom ou ruim para o Brasil?
Depende de qual lado você olha. Para a Petrobras e para os cofres públicos, petróleo caro é bom, porque aumenta a receita e os dividendos. A empresa, aliás, vem de um lucro de R$ 52 bilhões no trimestre. Para o consumidor, porém, o risco é de reajuste nos combustíveis.
Como o petróleo afeta a inflação?
De forma direta. Gasolina e diesel mais caros encarecem o transporte e o frete, que se espalham por quase todos os preços da economia. É por isso que uma alta forte do petróleo pode ameaçar a trajetória de queda da inflação, justamente quando o IPCA voltou para dentro da meta.
O que observar daqui pra frente?
O ponto de atenção é se a alta do Brent vai se sustentar. Se for passageira, o efeito sobre os preços internos tende a ser pequeno. Se o barril seguir pressionado, o Banco Central pode ter mais um motivo para a cautela que mostrou na ata. Conteúdo informativo, não constitui recomendação de investimento.